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BDM Morning Call - 29/09/22

Mercado na defensiva com eleição

... Inflação na Alemanha (9h), que poderá saltar hoje a 9,5%, e a confirmação de mais um PIB negativo nos Estados Unidos (9h30) são os destaques da agenda internacional, enquanto aqui o BC divulga o Relatório de Inflação do 3Tri, com entrevista de Campos Neto (11h). Às vésperas da eleição, o mercado não conseguiu acompanhar a melhora em NY, após Jay Powell ter evitado comentários sobre a política monetária e o BoE ter atuado para socorrer a libra. Investidores estão na defensiva, sem saber o que esperar de Lula na economia e porque temem por uma contestação dos resultados pelo presidente Bolsonaro em caso de vitória do candidato do PT no primeiro turno. A três dias do pleito, os sinais de que poderá haver reação se tornam mais evidentes.

... Nesta 4aF, um documento divulgado pelo PL, partido de Bolsonaro, questionou a segurança do sistema eleitoral no País, com críticas a um “quadro de atraso” no TSE em relação a medidas que poderiam evitar “vulnerabilidades relevantes”. ... Segundo o estudo, denominado ‘Resultados da Auditoria de Conformidade do PL’, as falhas existentes podem “resultar numa invasão interna ou externa nos sistemas eleitorais, com grave impacto nos resultados das eleições de outubro”. ... Em resposta rápida e contundente, o TSE soltou nota para afirmar que as conclusões do documento são “falsas e mentirosas, sem nenhum amparo na realidade” e trazem “informações fraudulentas” com o objetivo de “tumultuar as eleições”. ... O presidente da Corte, Alexandre de Moraes, ainda informou que estava anexando o laudo do PL ao inquérito das fake news. ... O documento do PL, que não teria o apoio do presidente, Valdemar da Costa Neto, foi distribuído pela ala mais bolsonarista, liderada pelo vice, Capitão Augusto, no mesmo dia em que o TSE abriu a chamada “sala secreta” à visitação dos partidos. ... Em paralelo, Bolsonaro voltou a elevar o tom contra o TSE e Alexandre de Moraes, acusando o ministro de “atazanar sua vida” e “trabalhar para Lula”, ao mesmo tempo em que ataca as urnas eletrônicas e aponta o risco de fraudes nas eleições. ... Na live de ontem à noite, exaltado, o presidente fez uma série de acusações a Moraes, dirigindo- se diretamente a ele: “Que eleição é essa, Alexandre, por que não aceitam as sugestões das Forças Armadas para evitar fraudes?” ... Conclamou seus eleitores a vestirem verde e amarelo no domingo, desafiando o TSE a “dar a vitória a Lula no primeiro turno, depois de aparecer um mar de verde e amarelo”. E continuou: “A gente pede a Deus que nada de anormal aconteça”. ... Um integrante da campanha de Bolsonaro disse ao Broadcast Político que “eles estão preparando o terreno para a derrota”, que o comportamento mais nervoso do presidente e a nota do PL são “um atestado” de que esperam perder a eleição. ... O objetivo agora seria fortalecer a narrativa de fraude nas urnas, repetindo o mesmo modus operandi de Donald Trump nos Estados Unidos, que contestou sua derrota, em 2020, com infundadas alegações de fraude nas eleições. ... Apoiadores de Trump chegaram a invadir o Capitólio na tentativa de impedir a certificação da vitória de Biden, como todo o mundo assistiu. Aqui, teme-se pelo risco de tumultos nas ruas. Bolsonaro já mostrou sua força no 7 de setembro. ... Hoje, o debate da TV Globo, com início às 22h30, está sendo considerado como chance derradeira de Bolsonaro levar a eleição para o segundo turno, tanto pelo próprio empenho, como o de Lula. Antes, às 18h, sai mais uma pesquisa Datafolha. ... O fato de boa parte dos eleitores de Bolsonaro estarem convencidos de que as pesquisas estão erradas corrobora a tese de fraude. Ainda na live de ontem, o presidente disse que não acredita no Datafolha e que o instituto está “desmoralizado”. O ECONOMISTA DO PT – Em entrevista às jornalistas Luciana Dyniewicz e Adriana Fernandes (Estadão), Guilherme Mello, que integra a assessoria econômica do PT, não entregou o ouro, esquivando-se de dar detalhes sobre o programa de Lula. ... Confirmou o que todo mundo já sabe, que um eventual governo petista acabará com o teto de gastos, mas garantiu que um “novo arcabouço fiscal” será negociado com o Congresso, que “não necessariamente será uma regra de gastos”. ... “O que nos cabe neste momento é anunciar os princípios que vão orientar a nossa proposta de um novo arcabouço fiscal, que vai compatibilizar a sustentabilidade fiscal, a recuperação do investimento público e o aumento dos gastos sociais”. ... Guilherme Mello confirmou também a decisão antecipada por Lula de mudar a política de paridades dos preços da Petrobras, sem dizer, porém, como isso seria feito. “Nosso objetivo é criar instrumentos para minimizar as oscilações de preços.” ... Entre as opções, citou a possibilidade de ser criado um fundo de estabilização, destacando que essa não é a solução “favorita”, e assegurou que a mudança, “obviamente”, será construída de maneira dialogada com a Petrobras e os governadores. ... Já sobre a reforma tributária, assumida como “compromisso de campanha” por Lula junto aos empresários, destacou que não haverá aumento na carga, “apenas modificação de impostos e alíquotas para garantir maior progressividade”. WELLS FARGO – Em relatório, o banco norte-americano vê Lula com um perfil “mais moderado”, avaliando que os seus governos anteriores, apesar dos gastos sociais e redistribuição de riqueza, representaram “um grau razoável de prudência fiscal”. ... Na opinião do economista do Wells Fargo, Brendan McKenna, o real tende a ser mais impactado pelos fatores externos, com o aperto dos juros, mas admite que, no caso de um cenário negativo pressionar o risco-país, o dólar pode passar dos R$ 6. ... Isso aconteceria se a credibilidade da política fiscal evaporar: “Então o real pode atingir mínimas históricas ante o dólar”. O banco considera Lula um “risco potencial” para a estabilidade fiscal, mas diz que esse não é seu cenário-base. ... Para McKenna, um novo governo de Lula seria bem semelhante aos anteriores, apenas com um “pequeno salto” à esquerda. AGENDA – O mercado vai atrás de pistas no RTI (8h) do timing do início do ciclo de cortes da Selic. Estas apostas também serão movimentadas pela coletiva de Campos Neto (11h) e, em menor grau, pelo IGP-M de setembro (8h). ... O indicador deve aprofundar a deflação para 0,89% em setembro, contra 0,70% em agosto, segundo a mediana das estimativas em pesquisa Broadcast. Todas as projeções indicam taxa negativa para o dado da FGV, de 1,10% a 0,20%. ... O Caged de agosto sai às 10h30 e deve apontar criação líquida de 269.350 postos formais de trabalho, após saldo positivo de 218.902 em julho. Às 14h30, o Governo Central deve ter déficit primário de R$ 48,2 bilhões em agosto. ... O secretário do Tesouro, Paulo Valle, dará entrevista sobre o resultado das contas públicas às 15h. ... No câmbio, o BC inicia a rolagem integral dos contratos de swap para novembro, com a oferta de até 16 mil contratos (US$ 800 milhões), às 11h30. O ministro Paulo Guedes participa de evento da Abrainc em SP (9h10). LÁ FORA – Tem para conferir nos EUA a última leitura do PIB/2TRI (9h30), que deve confirmar o resultado negativo (-0,6%) apontado pela estimativa preliminar. No mesmo horário, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego. ... Do Fed, falam hoje: Loretta Mester (14h) e Mary Daly (17h). O vice do BCE, Luis de Guindos, tem evento às 6h30. AS VELHAS AVENTURAS – Não é novidade o desejo de Lula, manifestado esta semana ao SBT, de mudar a política de paridade da Petrobras se vencer a eleição. Também não é nada diferente do que Bolsonaro já tenha tentado fazer. ... As sucessivas investidas do atual governo para trocar a cúpula da estatal, que está em seu quinto presidente desde que Bolsonaro assumiu, dão a medida de como a companhia sempre esteve no alvo da pauta eleitoreira. ... De alguma maneira, o mercado aprendeu a descredenciar as ingerências políticas nos últimos tempos. O que não quer dizer que o flerte com o populismo (de parte a parte, com Bolsonaro ou Lula) não incomode o investidor. ... Às vésperas das eleições, a intenção declarada do candidato do PT de mexer nos preços só serviu para redobrar a volatilidade nos negócios, descolando a Petrobras (PN, -1,35%, R$ 29,27; e ON, -0,70%, R$ 32,64) do rali do petróleo. ... O Brent/novembro saltou 3,75%, a US$ 88,05, com a baixa expressiva do dólar, o recuo maior que o estimado nos estoques de gasolina nos EUA, a passagem do furacão Ian pela Flórida e a ofensiva da UE pelo teto ao óleo russo. ... Aqui, o mercado deixou de lado a lua de mel com Meirelles e reagiu ao descompromisso de Lula com a agenda liberal. É um filme que já se viu muitas vezes, em governos diferentes, mas que nunca deixa de causar desconforto. ... Na Rio Oil & Gas, o diretor de governança e conformidade da Petrobras, Salvador Dahan, apressou-se a dizer que o plano estratégico da Petrobras de 2023 a 2027, atualmente em elaboração, não será afetado pelas eleições. ... O noticiário sobre a estatal foi movimentado ontem ainda pela terceira redução do preço do querosene de aviação (-0,84%) em um curto espaço de tempo. Em agosto, já havia caído 2,6% e este mês, já tinha recuado mais 10,4%. ... Contaminadas pelo ambiente eleitoral, as ações da Petrobras seguraram a recuperação do Ibov, que desperdiçou a chance de ir no embalo do otimismo de NY e fechou estável (+0,07%, a 108.451,20 pontos), com giro de R$ 26,2 bi. ... Os ruídos políticos também foram monitorados pelos bancos, que operaram sem fôlego. Itaú (-0,04%, R$ 27,52), Bradesco PN (+0,05%; R$ 19,63) e BB ON (+0,03%; R$ 38,55) fecharam no zero a zero. Santander subiu só 0,13%. ... Na live de ontem à noite, Bolsonaro disse que a maioria das estatais fica melhor na mão da iniciativa privada, com exceção de algumas, como BB e Caixa, que “têm que deixar como está aí”. É conferir se BB abrirá sob pressão hoje. ... Vale deu o contraponto positivo ontem (ON, +0,95%, a R$ 68,34), mas falhou em entusiasmar o Ibovespa. ... Os frigoríficos voltaram a ser penalizados pelas preocupações quanto ao risco de recessão global e figuraram entre as maiores perdas do índice. Minerva perdeu 3,63% (R$ 12,75), Marfrig, -3,03% (R$ 10,25), e JBS, -2,08% (R$ 25,38). ... Já as empresas do setor de educação se destacam entre as maiores altas, movimento influenciado por projeções de crescimento de alunos no segmento presencial e por margens melhores num possível retorno forte do Fies. ... Yduqs (+11,38%) teve a maior valorização do dia e Cogna também constou do ranking, com +3,90%. DURO NA QUEDA – Era de se esperar que o dólar caísse de forma mais expressiva por aqui ontem, diante da queda em escala global com a atuação do BoE contra a liquidação da libra esterlina. Mas as eleições serviram de limitador. ... O plano de Lula de mudar a política de preços da Petrobras e as dúvidas sobre a âncora fiscal que o PT pretende implementar em um eventual governo impediram o real de se destacar tanto quanto outras moedas emergentes. ... A divisa brasileira subiu ontem menos da metade do que avançaram o rand sul-africano e o peso mexicano. ... No mercado à vista, o dólar restringiu a baixa a 0,50%, cotado a R$ 5,3497. Além do peso da corrida eleitoral, o BC informou fluxo cambial negativo em US$ 2,274 bilhões na semana passada, impedindo qualquer alívio mais firme. ... O câmbio também já opera sob as forças especulativas da disputa da ptax, com os comprados tentando reduzir a influência dos interesses dos vendidos. No mercado futuro, o contrato de dólar para outubro (R$ 5,373) caiu só 0,21%. ... A cautela pré-eleitoral e os ajustes de posições antes do RTI levaram os juros futuros a ignorarem a queda modesta do dólar e a derrubada dos yields dos títulos americanos e europeus pela injeção de liquidez lançada pelo BoE. ... Após os ajustes, o DI para jan/23 subiu a 13,685% (de 13,680% na véspera); jan/24, a 12,895% (de 12,777%); jan/25, 11,740% (de 11,586%); jan/27, 11,715% (de 11,543%); jan/29, 11,910% (de 11,709%); e jan/31, a 12,000% (11,799%). NÃO FOI PARA INGLÊS VER – Longe de assistir de camarote à crise da libra, que tem como gatilho o recente pacote de cortes de impostos da primeira-ministra Liz Truss, o BoE voltou ao mercado de títulos para restaurar a credibilidade. ... O BC inglês anunciou plano de compra temporária de até 5 bilhões de libras em bônus de longo prazo por dia. ... Ontem, adquiriu 1 bilhão de libras em Gilts, como tentativa de conter a disparada dos yields gerada pelo pacote fiscal e estancar a desvalorização da moeda britânica. Deu certo e a libra esterlina disparou 1,38%, a US$ 1,0878. ... Na Bloomberg, fontes dizem que o governo Biden está alarmado com a turbulência do mercado desencadeada pelo novo programa econômico do governo do Reino Unido e pressiona Truss a reduzir os dramáticos cortes de impostos. ... Nos últimos dias, o colapso da libra dava margem a especulações de um choque de alta de 2 pontos no juro em novembro ou de reunião extraordinária pelo BoE. Mas a intervenção pode esvaziar a urgência de algo neste sentido. ... Após o euro renovar a mínima em 20 anos contra o dólar no começo do dia, pressionado pela crise de energia no bloco, a moeda se recuperou após Lagarde (BCE) reafirmar alta do juro "nos próximos vários encontros". ... Os presidentes do BC austríaco e da Eslováquia defenderam novo aperto de 75 pontos-base na reunião de outubro. ... O euro saltou 1,42%, mas ainda não recuperou a paridade (US$ 0,9733). A reação positiva das moedas europeias tirou o DXY (termômetro da força do dólar) da linha dos 114,000 pontos e o derrubou a 112,604 pontos (-1,32%). ... A moeda americana foi ainda prejudicada por Powell, que frustrou as apostas de que falaria de política monetária em evento. Já o fed boy Raphael Bostic defendeu que o juro americano suba para 4,25%-4,5% até o final do ano. ... O Wells Fargo, que antes previa o pico do dólar em dezembro, agora aposta no início de 2023. ... A presença do BC inglês no mercado de títulos impulsionou os bonds britânicos e espalhou o movimento para os Treasuries. O yield da Note de 10 anos, que chegou a bater em 4%, recuou para 3,711% (de 3,976% na véspera). ... A atuação do BoE para baixar a poeira nos negócios repercutiu bem em Wall Street. O S&P 500 (+1,97%, 3.719,04 pontos) interrompeu seis quedas seguidas, o Dow Jones subiu 1,88% (29.683,74) e o Nasdaq, +2,05% (11.051,64). ... Netflix se destacou (+9,29%), com analistas avaliando que a receita será impulsionada pela opção de assinatura com anúncios. Já Apple caiu 1,27%, com relatos de que desistiu de ampliar a produção dos novos iPhones neste ano. SECA DE IPOS - Como reflexo da alta do juro para controlar a escalada da inflação, os IPOs congelaram este ano nos EUA. Até aqui, só foram registradas 32 ofertas públicas iniciais de ações, tombo de 88% contra as 259 de 2021. EM TEMPO... PETROBRAS informou que a produção no campo de Búzios vai aumentar de 600 mil barris por dia, com as atuais 4 plataformas, para 2 milhões b/d, com mais 7 unidades, até o fim da década. VALE negou ter sido intimada de pedido do MPF para bloqueio de R$ 10 bilhões às acionistas da Samarco. CSN. CVM rejeitou proposta de termo de compromisso, de R$ 1,2 mi, feita por David Salama, diretor- executivo e ex-diretor de RI da companhia, para encerrar processo relativo a dois fatos relevantes incorretos e imprecisos de 2017. NEOENERGIA e PRUMO assinaram memorando de entendimentos para realização de estudos para desenvolvimento de eólica offshore e produção de hidrogênio verde no Porto de Açu (RJ). LOCALIZA informou que permanece inalterado o valor de R$ 0,35 por ação do JCP; montante aprovado em 23/9 é de R$ 346,205 milhões e o pagamento ocorrerá em 9/11; ex em 29/9... ... Valor estava sujeito à alienação de ações em tesouraria para atender ao exercício dos planos de opção de compra de ações da empresa, mas não houve movimentação nesse sentido. IOCHPE-MAXION aprovou pagamento de R$ 30 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,19 por ação, que será efetuado até 31/3/23; ex em 4/10... ... BlackRock elevou participação acionária na companhia de 5,28% para 6,41%, com 9,8 milhões de papéis ON. CURY emitiu R$ 100 milhões em debêntures, que servirão como lastro na emissão de certificados de recebíveis imobiliários (CRI). TECNISA informou que foi julgada improcedente pelo TJ-SP a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) que suspendia a vigência e a eficácia da lei que alterou as diretrizes gerais da Operação Urbana Consorciada Água Branca. LOG COMMERCIAL PROPERTIES concluiu venda do imóvel Log Betim II com recebimento de R$ 175,8 milhões, cerca de 70% do preço total do ativo... ... Operação, anunciada em 26/7, foi realizada com o fundo de investimento imobiliário CSHG Logística. SARAIVA. Acionistas aprovaram em assembleia o aumento de capital da companhia no valor de R$ 35,44 milhões, por meio da emissão de 7,8 milhões de ações PN, com preço médio de emissão de R$ 4,53... ... Assim, o capital social da Saraiva passará de cerca de R$ 302 milhões para R$ 337,4 milhões, distribuídos entre 9,6 milhões de ações (671 mil papéis ON e 8,9 milhões de PN).

Rosa Riscala e Mariana Ciscato

BDM Morning Call, [29/09/2022]

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

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