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Real e Ibovespa se recuperam após tombo da véspera, mas temor fiscal sobre Lula permanece

11 de nov. de 2022 // 12:10


O dólar caía acentuadamente frente ao real nesta sexta-feira, enquanto o Ibovespa avançava, com os ativos brasileiros tentando se recuperar de tombo registrado na véspera em meio a temores de que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, não preze pela responsabilidade fiscal durante seu terceiro mandato. Apesar da melhora nos mercados domésticos nesta sessão, que muitos especialistas atribuíram a um ajuste técnico, o movimento estava longe de compensar a disparada de 4% do dólar e o tombo de mais de 3% do Ibovespa na quinta-feira. O foco de investidores continuava na pauta fiscal, em meio às negociações da PEC da Transição, que o governo eleito busca aprovar para acomodar despesas extra-teto em 2023, com possibilidade de retirada permanente do custeio do Bolsa Família das regras fiscais do país. Fornecia amparo aos ativos brasileiros neste pregão o bom humor no exterior, onde as ações disparavam e o dólar tombava pelo segundo dia consecutivo, em meio a esperanças de que o Federal Reserve modere seu ritmo de aperto monetário. Veja como estavam alguns dos principais mercados financeiros globais às 12h (de Brasília) desta sexta-feira:

CÂMBIO O dólar caía acentuadamente frente ao real nesta sexta-feira, em meio a negociações instáveis, com investidores ajustando posições depois de na véspera a moeda ter disparado ao ritmo mais rápido desde o início da pandemia diante de temores de descontrole fiscal sob o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital, disse que a queda da moeda norte-americana nesta sessão reflete a falta de liquidez nos mercados devido a feriado nos Estados Unidos pelo Dia dos Veteranos, bem como um "ajuste técnico pontual e natural" depois de o dólar ter saltado 4,09% na véspera, a 5,3968 reais na venda. Foi a maior disparada percentual diária desde o salto de 4,86% registrado em 16 de março de 2020, em meio ao pânico dos mercados no início da pandemia de Covid-19, e o patamar de encerramento mais alto desde a cotação de 5,54976 reais vista em 22 de julho passado. "Mas perceba que foi apenas um ajuste", ponderou Bergallo, destacando que o dólar chegou a devolver completamente as perdas neste pregão. "Então acredito que a percepção de ontem ainda esteja reverberando." O salto do dólar na quinta-feira refletiu amplos temores de descontrole de gasto sob Lula, que planeja uma PEC para acomodar despesas extra-teto em 2023, com possibilidade de retirada permanente do custeio do Bolsa Família das regras fiscais do país. Agravou o sentimento a fala do presidente eleito na véspera, quando o petista voltou a criticar o mecanismo de teto de gastos e disse que ele deve ser discutido com a mesma seriedade que a questão social do país. Além disso, Lula convidou economistas associados ao PT --e possivelmente inclinados a medidas fiscais heterodoxas, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega-- para compor sua equipe de transição. "Após o discurso de Lula, que questionou a importância da responsabilidade fiscal, o mercado aguarda a definição do texto final da PEC de transição", disse a Guide Investimentos em nota a clientes. Bergallo, da FB, disse que o desempenho do real neste pregão e na véspera poderia ter sido muito pior não fosse o tombo do dólar no mercado internacional. O índice que compara a divisa norte-americana a uma cesta de seis pares fortes DXY recuava quase 1% nesta manhã, depois de na quinta-feira já ter despencado cerca de 2%, ficando a caminho de marcar seu maior declínio em dois dias desde 2009. Esse movimento foi estimulado por uma leitura de inflação mais fraca do que o esperado para outubro nos Estados Unidos, que alimentou apostas numa moderação do ritmo de aperto monetário do banco central do país, o Federal Reserve.

  • Dólar/Real (BRBY): -1,47%, a 5,3185 reais na venda;

  • Euro/Dólar EURUSD: +0,7%, a 1,0279 dólar;

  • Dólar/Cesta de moedas DXY: -0,91%, a 107,120.

BOVESPA O Ibovespa subia nesta sexta-feira, em meio a uma nova enxurrada de resultados corporativos e encontrando um relevante suporte nas ações da Vale VALE3, embora persista o desconforto de investidores com sinalizações fiscais recentes do presidente-eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Na quinta-feira, o Ibovespa fechou com a maior queda percentual diária desde novembro de 2021, refletindo preocupações com o cenário fiscal brasileiro, em particular após declarações de Lula como a de que há gastos públicos que têm que ser considerados como investimentos. "Parece ter sido o primeiro dia em que o mercado 'capitulou' com as falas poucos sensatas economicamente do presidente eleito", afirmou Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG Investimentos. Ele acrescentou que permanece um viés negativo, "até que a equação fiscal ganhe alguma âncora e longo prazo". Kawa afirmou que "'o mercado', que não é uma entidade maligna e não luta contra a democracia, mas é fundamental para o bom funcionamento da economia e demandará sinais de que o novo governo preza pelo ajuste das contas públicas antes de apresentar uma estabilização mais permanente". No exterior, Wall Street sinalizava manter o tom positivo, após altas expressivas na véspera, endossando o "respiro" no pregão brasileiro, em meio a expectativas de que o Federal Reserve amenize o ritmo do aperto monetário em curso nos Estados Unidos.

DESTAQUES

- VALE ON VALE3 avançava 3,96%, a 77,5 reais, após nova alta dos preços do minério de ferro na China, onde o contrato futuro mais negociado na bolsa de Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 5%. A China tem aliviado regras de isolamento social relacionadas à Covid-19. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON CSNA3 saltava 5,98%.

- YDUQS ON YDUQ3 subia 7,45%, a 12,69 reais, após quatro quedas seguidas, período em que acumulou uma perda de quase 28%. A empresa divulgou na noite da véspera resultado operacional de terceiro trimestre dentro do esperado. COGNA ON COGN3, que também reportou seus números na quinta-feira, tinha variação negativa de 2,65%. A ação vem de uma sequência de seis quedas, em que totalizou uma perda de cerca de 20%.

- JBS ON JBSS3 valorizava-se 4,19%, a 25,88 reais, também ajudando o Ibovespa, mesmo com a queda de 47% no lucro líquido do terceiro trimestre, afetado principalmente pelas perações de carne bovina na América do Norte. No setor, MARFRIG ON MRFG3 recuava 0,55, a 10,77 reais, tendo como pano de fundo um recuo de 74% no lucro, também prejudicado pela perfomance dos negócios na América do Norte.

- ITAÚ UNIBANCO PN ITUB3 recuava 2,28%, a 26,99 reais, mesmo após crescimento de 19% no seu lucro líquido recorrente de julho a setembro. O maior banco da América Latina afirmou que prevê alta da inadimplência no varejo no quarto trimestre.

- B3 ON IBOV cedia 3,08%, a 12,9 reais, afastando-se das mínimas, quando caiu mais de 7%, após o balanço do terceiro trimestre, com queda de quase 11% no lucro líquido recorrente. Analistas do Credit Suisse cortaram a recomendação dos papéis para "neutra" atribuindo a decisão a uma questão de "valuation", mas também perspectivas mais incertas.

- LOCAWEB ON LWSA3 perdia 7,37%, a 8,3 reais, um dia após reportar aumento no prejuízo do terceiro trimestre. Em termos ajustados, a companhia de serviços de tecnologia registou lucro líquido de 33,4 milhões de reais, alta de 30,8% ano a ano.

- IRB BRASIL ON IRBR3 caía 5,81%, a 0,81 real, renovando mínimas históricas, conforme dobrou o prejuízo no terceiro trimestre, a 298,7 milhões de reais, diante de sinistralidade maior do que a esperada pela empresa devido a efeitos climáticos no segmento rural.

-RAÍZEN PN RAIZ4 recuava 4,62%, a 3,92 reais, após tombo no lucro líquido ajustado para 1,1 milhão de reais no segundo trimestre do ano-safra 2022/2023 ante 1,1 bilhão de reais no mesmo período do ano anterior.

- PETROBRAS PN PETR3 cedia 1,23%, a 25,8 reais, a despeiro da alta do petróleo Brent BRN1!, uma vez que permanecem os receios relacionados à estratégia da petrolífera de controle estatal a partir de 2023, com o retorno de Lula ao Palácio do Planalto. . Ibovespa (.BVSP): +0,78%, a 110.627,85 pontos; . Volume financeiro: R$10,9 bi . Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): +3,14%, a 16.705,36 pontos. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (.PG.BVSP) Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em (.PL.BVSP)

JURO


BOLSAS DOS EUA Os principais índices de Wall Street abriram em alta nesta sexta-feira, estendendo os ganhos da sessão anterior, depois que dados de inflação suaves dos Estados Unidos apoiaram as expectativas de aumentos menores dos juros pelo Federal Reserve. . Dow Jones DJI: -0,15%, a 33.666,16 pontos; . Standard & Poor's 500 SPX: 0,16%, a 3.962,55 pontos; . Nasdaq IXIC: -0,3%, a 11.080,84 pontos.

BOLSAS DA EUROPA O índice pan-europeu STOXX 600 SSXXP tinha queda de 0,00%, a 431,90 pontos. Em LONDRES, o índice Financial Times UK100 recuava 0,39%, a 7.346,28 pontos. Em FRANKFURT, o índice DAX DAX subia 0,32%, a 14.191,33 pontos. Em PARIS, o índice CAC-40 PX1 ganhava 0,41%, a 6.583,63 pontos. Em MILÃO, o índice Ftse/Mib FTSEMIB tinha valorização de 0,20%, a 24.441,98 pontos. Em MADRI, o índice Ibex-35 IBC registrava baixa de 0,28%, a 8.110,40 pontos. Em LISBOA, o índice PSI20 (.PSI20) desvalorizava-se 0,61%, a 5.800,43 pontos.

DÍVIDA O mercado de Treasuries estava fechado nesta sexta-feira devido ao feriado do Dia dos Veteranos nos Estados Unidos.

PETRÓLEO . Nymex - CL1!: 3,47%, a 89,47 dólares por barril; . ICE Futures Europe - Brent BRN1!: 2,88%, a 96,37 dólares por barril.



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